Sexta-feira, 12 de junho. Um cinzento dia dos Namorados no autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP). Ótimo clima para ficar embaixo das cobertas com a companheira (o). A Fiat, porém, tinha outros planos para os jornalistas e convidou o iCarros para uma volta no circuito a bordo de um 500, modelo que chegará por aqui em outubro.
A montadora italiana ainda não confirmou quais versões do modelo deverão ser trazidas para o País, mas o preço estimado ficará entre R$ 65 mil e R$ 70 mil. O carro está em fase de ‘tropicalização’, ou seja, o motor está sendo adaptado para nossa gasolina misturada ao álcool e a suspensão precisa ser retrabalhada para não ficar desconfortável em nossas maltratadas vias.
Paixão à primeira curva
Sair dos boxes em Interlagos, independentemente do carro, já é uma emoção forte. Fazer isso com um carro de 3,55 metros de comprimento, 1,49 metro de altura e 1,65 metro de largura, entretanto, pode parecer decepcionante. Não é. Um modelo curto, largo e com boa distância entre-eixos tende a se dar bem em curvas. O carro é mais curto, mais largo e possui entre-eixos maior que o de um Mille Economy, por exemplo. O pequeno propulsor 1.4 16v a gasolina de 101 cv do modelo testado precisa empurrar os 1.004 kg do 500, mas conta com seis marchas para ajudar.
À primeira vista, o carro cativa pelo design simpático, inspirado no modelo original da década de 1950. Ao entrar, percebe-se o acabamento na porta de plástico, similar a outros modelos da Fiat nacionais, mas o painel e os bancos não: são bonitos e causam boa impressão. Os assentos, de couro, ‘vestem’ bem o motorista e tratam de segurá-lo mesmo em curvas acentuadas.
O câmbio de seis velocidades não lembra os que equipam os Fiat nacionais. Possui engates fáceis e precisos, mas engatar a sexta marcha exige um pouco de costume. Não pela peça, mas pelo motorista que lida geralmente com um câmbio de cinco marchas.
Dando a partida, o propulsor solta um leve barulho, quase imperceptível. No console há um botão escrito ‘Sport’, que foi acionado antes de sair para a pista. Quem conseguiria resistir a apertar esse botão em um circuito de corridas como Interlagos? Ele é responsável por tornar as reações do volante e do acelerador mais precisas.
Já na saída dos boxes, o carro demonstra que ganha fôlego rápido e som fica mais ‘encorpado’ com o conta-giros marcando mais de 3.000 rotações por minuto. Saindo no meio da reta oposta, o instrutor, que ficou no banco do carona, deu a dica: ‘O interessante desse carro é mostrar a dirigibilidade’. Esse foi gatilho para o pequeno Fiat 500 começar a ‘devorar’ a curva no final da reta oposta. Mas o ‘piloto’ aqui ficou receoso de entrar com tudo e escutou um ‘vamos, pode acelerar’. O carro não oscilou, nem torceu a carroceria. Nem sequer um assobio ou chiado vieram dos pneus. Foi paixão à primeira curva.
Tudo bem, já que é para acelerar, aceleremos: pé lá embaixo na Subida do Lago, passando de segunda para terceira marcha em direção ao Mergulho. O carro fez a curva já pedindo a quarta marcha, algo em torno dos 100 km/h (eu tinha mais com que me preocupar que o velocímetro no momento).