29/01/2010 - Rodrigo Ribeiro / Fonte: iCarros
O primeiro contato com Peugeot 207 XS automático foi longo: da redação do iCarros, na região do Itaim, até minha casa, na Zona Norte de São Paulo, demorei quase três horas, preso nos cada vez maiores congestionamentos paulistanos. A oportunidade não poderia ser melhor. Os engarrafamentos urbanos estão se tornando habitat natural de uma espécie em franca expansão: os hatches automáticos. Mais baratos e práticos que os sedãs, modelos como o 207 e Citroën C3 oferecem o conforto de não precisar trocar de marcha por um preço inferior ao de carros maiores.
Mas e os automatizados? De fato, Fiat Palio e Gol i-Motion também aposentaram o pedal de embreagem. Contudo, os câmbios robotizados requerem uma condução diferente do automático – se você mantiver a aceleração do motor durante a troca de marcha, será inevitável sentir sua cabeça balançando para frente e para trás, o que não ocorre nos automáticos.
O Kia Picanto, automático mais barato do Brasil, é menor (3,54 metros) e tem uma proposta diferente. Desta forma, sobra para o Citroën C3 1.6 16V GLX Automatique (R$ 46.190) e Peugeot 207 XS (R$ 46.100) a responsabilidade de oferecer conforto abaixo dos R$ 50 mil. E nesse duelo caseiro – ambos dividem a mesma plataforma, desenvolvida pela PSA Peugeot Citroën – descobrimos que os dois “irmãos” se separaram desde o nascimento.
Irmão rebelde
Desde seu lançamento, em 1999, o Peugeot 206 tinha como diferencial o design agressivo, que caiu no gosto da clientela jovem. Repaginado em 2008 e rebatizado de 207, o compacto manteve a aparência e desempenho mais esportivo, realçado pela versão mais potente 1.6 16V de 110 cv (gasolina) e 113 cv (etanol) de potência, também usado no C3. O carro das fotos é o único disponível com câmbio automático, o 207 XS, que vem completo por R$ 46.100. Airbag duplo pode ser adicionado por mais R$ 1.300.
Travas (ruidosas na hora de abrir), vidros e retrovisores elétricos, direção hidráulica e ar-condicionado são de fábrica. CD player, somente na concessionária, com preço de R$ 600, em média. Também opcional, a pintura metálica de R$ 900 é a única saída para quem quiser um 207 em qualquer cor que não seja a branca – e pouco recomendada em São Paulo, onde o tom é associado aos táxis.
Do lado de dentro, acabamento de qualidade e bancos confortáveis para quatro adultos e uma criança. Mas o porta-malas de 245 litros requer estratégia para arrumar as bagagens. Na hora de dirigir, a tocada mais esportiva é garantida pelo acelerador com respostas rápidas, suspensão firme (recalibrada na reestilização) e direção mais pesada, enquanto os freios ABS a disco nas quatro rodas garantem a segurança do motorista mais apressado.
Tradicional fonte de críticas, o câmbio automático de quatro marchas mostrou-se indeciso no 207 avaliado. Ora a transmissão demorava para trocar as marchas (como se estivesse no modo Sport), esticando-as sem necessidade, ora reduzia durante as frenagens – comportamento que poupa freios, mas pouco adequado em um carro automático, devido aos trancos em cada redução. O engate da primeira marcha em subidas íngremes era seguido de um ruído que dava a impressão de haver alguma coisa quebrando sob o capô. Questionada, a Peugeot afirmou que iria avaliar a unidade que o iCarros testou. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno do grupo.
E, literalmente, aos trancos, o 207 demonstrou que os 113 cv com álcool e 15,5 kgfm de torque perdiam utilidade na transmissão para as rodas. E a demora nas trocas de marcha resultou no elevadíssimo consumo de 6,4 km/l com gasolina, combustível mais vantajoso na ocasião do teste.